Jararca-dormideira, papa-lesma

Jararaca-dormideira

Jararaca e jararaca-dormideira, você sabe a diferença? Por falta dessa informação, muita gente mata um animal que sequer representa algum perigo. No vídeo a seguir, Bruno Henrique Dreher, do Canal Dreherlogia, fala sobre a jararaca-dormideira. Conheça características bem interessantes desse animal, hábitos alimentares, e o que distingue ela da temível jararaca. Abaixo, texto completo do vídeo em português.

Fala galera, beleza? Tudo certo? No vídeo de hoje a gente vai falar sobre uma serpente perigosíssima, imensa, monstruosa: a jararaca-dormideira.

Bora lá!

Como você já deve ter percebido, de perigosa, imensa, ela não tem nada. Essa daqui, a jararaca-dormideira, como o pessoal chama popularmente.

Pode ser chamado também como papa-lesma já por conta do seu hábito alimentar. Mas o seu nome científico é Dipsas mikanii. Ela foi descrita em 1837, mano!

Cara, você pode encontrar essa espécie aqui por todo o Brasil, mas o gênero Dipsas, ele tá espalhado por todo o ambiente neotropical, tendo variações lindíssimas dessa espécie.

Saca só essas daqui que eu peguei da América Latina.

Dessas 30 espécies aí conhecida do gênero Dipsas, todas elas possuem dentição áglifa, aquelas que não tem dentes inoculadoras de venenos, ou seja, nenhuma serpente desse gênero é peçonhenta.

E dessas 30 espécies, cara, somente 17 delas podem ser encontrados aqui no Brasil, tendo aí uma distribuição de acordo com a região.

Apesar de seu pequeno tamanho, essa serpente acaba sendo morta com muita frequência aqui no Brasil, por ela ser muito comum e também pelo seu hábito alimentar ser muito específico, já que ela come lesmas, cara.

Ela costuma aparecer muita em hortas, em fazendas, e essas coisas. E pela coloração dela lembrar a jararaca, o pessoal costuma associar ela a terrível jararaca. A temida jararaca Então ela acaba sendo morta aí por conta da má fama da outra espécie.

As serpentes, elas apresentam as melhores adaptações aí para malacofagia. Você sabe o que que é isso? Não, né?

Malacofagia é o hábito alimentar exclusivamente de lesmas e caramujos, sendo as serpentes as mais bem adaptadas para predar esses animais.

Entre os répteis, cara, apenas 200 espécies comem lesmas e caramujos, e essa querida que tá aqui na minha mão é uma delas.

Bom, se você acompanha o Canal Dreherlogia, você sabe que os dentes inoculadores de venenos, as glândulas de venenos, são glândulas salivares que se adaptaram com o decorrer do tempo; e até pouco tempo atrás, acreditava-se que essa espécie aqui, a Dipsas mikanii, ela produzia uma espécie de veneno na sua glândula salivar para paralisar os moluscos e as lesmas quando elas tão comendo, para facilitar a sua digestão.

Mas depois de muitos estudos, foi descoberto que essa saliva que ela produz não seria para paralisar o bicho e sim para lidar com aquele muco, com aquela gosminha que as lesmas produzem.

Muito massa, né, mano?

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Apesar das marcações dela lembrar um pouco aí a jararaca, ela tem coisas que distinguem muito bem uma da outra. Vou por um comparativo aqui das duas espécies para você ver que, se você olhar bem mesmo, uma não tem nada a ver com a outra.

Pra gente fazer a identificação das Dipsas mikanii para uma jararaca real, oficial, seria a pupila, já que a pupila dessa Dipsas mikanii que está aqui é redonda, igual a nossa; enquanto a pupila da jararaca, é daquela vertical, igual a de gato. Então é uma forma de você diferenciar.

Porém, entretanto, todavia, a Dipsas neuwiedi, uma outra espécie de jararaca-dormideira, de papa-lesma, que tem esse mesmo hábito de comer gastropodes, ela tem a pupila vertical. Então você não pode usar isso como regra aí para diferenciar uma da outra.

Então é sempre importante, quando aparecer alguma cobra ou coisa do tipo, você chamar alguém responsável, alguém que saiba diferenciar esse tipo de animais e fazer o resgate correto e a soltura desse animal na natureza.

Demorou!?

E é muito interessante a gente falar de pupilas verticais e pupilas redondas porque saiu um novo estudo que quebra toda a concepção que existe em relação a essas pupilas; porque dizia-se que os animais tinham adaptado a sua visão vertical e tudo mais para ter hábitos noturnos, já que facilitava sua visão e tals.

Mas com esse novo estudo que saiu, eles a explicam que esses olhos verticais, eles servem para animais de emboscada, de animais que dão bote, essas coisas. Então, são animais de hábitos de senta e espera, até porque tinha outros animais de pupilas verticais que tinham hábitos diurnos e ficava aquela incógnita.

Um exemplo disso é a Boa constrictor, a jiboia comum, a Cacilda, e como ela tem olhos verticais e hábitos diurnos, eles consideravam esses animais generalistas. Tipo: ah, ele é um animal que tem uma atividade diurna, mas também se alimenta a noite. Não que ele seria um animal de hábitos de senta e espera”.

Sai mosquito!

Galera, eu não sei se vocês vão estar conseguindo ver nos mínimos detalhes, mas essa serpente aqui, em cima da cabeça dela, ela tem placas de escama que constituem toda a cabeça, todo craniosinho dela; enquanto a Bothrops, a jararaca mesmo, real, oficial, ela possui várias escaminhas que constituem toda a sua cabeça, muito diferente dessa espécie que tá aqui comigo agora que é inofensiva.

Demorou?

Então nada de matar jararaca-dormideira, papa-lesmas aí na hortinha.

Cara, uma outra coisa muito interessante dessa espécie é que ela tem um hábito alimentar unicamente, exclusivamente de lesmas.

“Tá Bruno, você já falou isso”.

Mas o interessante é: tem uma outra espécie que é Dipsas neuwiedi, muitíssimo parecida com essa, que ela come lesma e caramujo. Só se entende a dificuldade de tirar uma lesma de dentro de uma concha, cara.

É, pois é.

Essa outra espécie, Dipsas neuwiedi, teve adaptações cranianas e mandibulares para conseguir tirar a lesma de dentro do caramujo que você consegue estar vendo aí nessa filmagem; enquanto a Dipsas mikanii, essa lindinha que tá aqui comigo, ela teve adaptações nos dentes para conseguir lidar com as presas mais lisas, que seriam as lesmas.

Muito louco, né, mano?

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